Saturday, March 14, 2009

O triste fim dos achadores

De achismos vivem muitos,

Acham que sabem, acham que entendem,

Não acham, porém, há muito perdidos

polidez e respeito, se algum dia os tiveram

Por não acharem, também, o amor próprio e a segurança

Acham que tentando intimidar se auto-afirmarão

Triste fim terão os achadores!

De tanto procurar (tentando achar), decerto um dia

Sobre a cabeça lhes cairá

Um piano bem pesado

E morrerão, afinal, esborrachados


E naquela seção do metrô, se porventura alguém os procurar

Não estarão entre os achados

Pq, desde que por gente se entenderam

Achados nunca estiveram

e sim, perdidos


ACHO que não ficou muito bom, mas tudo bem. Opa, o que é isso lá no alto? É um pássaro? É um avião? NÃO! É...


Friday, March 13, 2009

O menino e seu coração



O menino deixava um pedaço de seu coração em cada lugar que ele ficava. Cada vez que ele se ia, sentia um pouco menos. E ele se mudava bastante. Até que um dia, depois de mais uma mudança, ele parou, olhou pela janela e ficou assistindo a chuva cair. E pôs a mão no coração.

E percebeu que não sentia mais nada.

Esboço de uma viagem

Vigésimo andar, manhã de uma sexta-feira qualquer. Tempo nublado, por entre pequenos buracos nas nuvens é possível ver o céu azul lá em cima, e dessas frestas vem um calor gostoso. Mas predomina o vento frio. Poderia até chover. Um livro, cigarros, o celular - se fossem interromper minha ociosidade com trabalho - o aparelho de ginástica para os braços, a cadeira de sol...

Leio, leio, leio. Olho para o alto, as nuvens movem-se rapidamente. O vento. Nuvens gigantescas, em minha memória alguma associação com os velhos monstros do Ultraman. A mente vagueia. Dá medo, até. Prestar atenção lá em cima - sentir-se lá em cima - faz a gente lembrar de quanto tempo andamos aqui embaixo, geralmente olhando para baixo ou, no máximo, para os outros, e faz pensar - não cientificamente - nos mistérios e, quem sabe, nas respostas para tantas perguntas que podem - ou não - estar lá em cima, além de qualquer alcance.

Largo o livro no chão e detenho-me em apreciar o movimento das nuvens. O vento torna-se cada vez mais frio, rápido e forte. A idéia de algum sol é esquecida. As plantas nos vasos no solário ameaçam vergar. Minha camisa cai da mesa onde a tinha deixado. A cadeira onde estou recostado balança. Os chinelos começam a se mexer sozinhos, arrastados pelo vento.

Tentando ficar indiferente à natureza, pego novamente o livro e volto a ler. Meu calção enche-se de ar e novamente vem a sensação de que estou prestes a despegar do chão. Será possível? Mais de 80 kg... Sentindo-me ligeiramente desconfortável, sinto meu coração acelerar um pouco. É óbvio que essas coisas só acontecem quando se está sozinho.

Finalmente, rendo-me à situação. Sou levantado e arrastado pela ventania, à qual, por força da ignorância, já não sei mais do que chamar. Está frio. Em meio às nuvens escuras, já não diviso mais nada compreensível aos sentidos. O que acaba dando no mesmo, pq não consigo manter os olhos abertos.

Lembro-me então de uma passagem do livro que estava lendo: "Enquanto vivos, experimentamos apenas um hemisfério da vida." De certa forma, isso me conforta. Não há luz nem escuridão; não há calor nem frio. Não há respostas. Não há nada.

Wednesday, March 11, 2009

Tantas coisas p/ escrever...





Observo tanto e retenho tão pouco em minha memória, affe. Bom, vamos lá, primeiro sobre ela: aliás, na verdade, sobre mim, mas pensando nela: ontem doeu. Doeu de saudades. Queria vê-la demais. Tudo depois de um fato que me trouxe a lembrança dela, mais viva do que nunca e a constatação de que, com essas mudanças todas na minha vida, tudo que eu queria, pensava e planejava há poucos meses ficou irremediavelmente pra trás. Mas o sentimento, esse permanece. Pq é verdadeiro, como foi desde o início. Pena que tenha sido assim. Por outro lado, às vezes penso que aconteceu exatamente como deveria acontecer.

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Estou trabalhando cada vez mais rápido. Bom. Pensando mais rápido, também. Rendendo cada vez mais. Nem sei a que limite dá pra chegar.

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Tenho saído muito, mas tenho que diminuir isso. Não posso mudar meu foco, fiz o que fiz para trabalhar mais e melhor. Foi natural, no entanto. Conheci vários amigos e amigas da minha irmã. Gente boa e divertida. Bebi um pouco demais ultimamente.

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De forma geral tenho me sentido melhor. Mais disposto, mais produtivo e mais útil. Minha incapacidade de cultivar relações continua, no entanto. Gente de meu (agora) antigo bairro me liga e eu vou arquivando as ligações para retornar sabe-se lá quando. Affe. Bom, mais pra frente eu cuido disso. As relações virtuais estou retomando, aos poucos, algumas. Sinto-me melhor para fazer isso, embora ainda ache que não tenho mais nada com que contribuir, se é que algum dia tive.

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Ontem achei uma correntinha com a identificação dele. Vou usá-la para sempre. É o mínimo que posso fazer para me lembrar sempre do que aconteceu, de por que aconteceu. Te amo, meu amigo. Nunca vai haver ninguém em seu lugar.

Tchau

Saturday, March 7, 2009

Não existe o botão do foda-se (postado no orkut)




Tenho reparado como as pessoas, revoltadas com a condição em que se encontram, com o que outros falam ou pensam delas e/ou com coisas sobre as quais não têm absolutamente nenhuma influência ou responsabilidade dizem que e/ou aconselham outros a ligar o botão do foda-se.

Penso que é um engano. Admitindo que, por uma razão ou por outra, com o que pode-se ou não concordar, temos nossa sensibilidade mais à flor da pele devido às situações que já vivemos e como elas nos afetaram e continuam a nos afetar até hoje; concordando que o mundo não é lá o lugar mais justo que existe, que as pessoas julgam mesmo, por maldade sim, mas às vezes até pq formar um julgamento sobre uma coisa ou uma pessoa é algo inato ao ser humano, muitas vezes fazemos isso até inconscientemente, enfim, admitindo, finalmente, que estamos sujeitos a, em momentos em que só nós sabemos o que estamos sentindo, ficarmos mais ou menos transtornados com esse estado de coisas e pensarmos que nossa condição de tristeza e desolação viverá conosco até o fim de nossos dias ou até o dia em que venhamos a atentar contra a própria vida, penso que, para conviver melhor com isso tudo, seria mais adequado entender o seguinte:

1 - A opinião dos outros a nosso respeito importa, sim. O ser humano, em seu cérebro, possui o centro do prazer, a parte que guia certas atitudes que tomamos em busca de recompensas que ativam partes de nosso cérebro que liberam substâncias que nos fazem sentir prazer. Gostamos quando somos elogiados, compreendidos. Ficamos mal quando acontece o contrário. Muitos de nós terminam por escolher não opinar mais, ou até mesmo acaba acontecendo de desenvolver raiva pelo ser humano em geral após uma série de frustrações. Daí muitos passarem a se auto-denominar misantropos. É mais fácil e é mais cômodo. Na maioria das vezes, é mais errado tbém.

Não há mal nenhum nem é vergonha ou demérito querer ou buscar aprovação. É simplesmente uma característica natural a mim e a você.

O que eu faço, o que eu tenho feito há anos e que, de certa forma, proporciona uma capacidade de adaptação talvez um pouco melhor à mim mesmo e ao ambiente que me cerca é tentar filtrar ao máximo o número de pessoas cuja opinião realmente importa para mim. Isso não impede que, dentre aquele pequeno círculo que sobra, quando de uma controvérsia ou algo que considere que me machuca acontece, eu deixe de sentir. Mas sem dúvida é muito mais simples lidar com menos casos onde isso aconteça.

Até que ponto devo permitir que o que outro pensa me afete? Creio que depende muito de QUEM é esse outro.

Tomando como exemplo este mesmo orkut, vejo gente que acaba chegando ao ponto de formar grupos, os mesmos grupos que, por atitudes opostas são condenados (com razão, diga-se) onde não consigo ver nada de produtivo acontecendo ou sendo ao menos semeado. São pessoas se enganando, e pior, sob a pretensa justificativa na qual eles mesmos tentam acreditar, a de que se sentem melhor entre seus iguais.

Nem tanto lá nem tanto cá. Separatismo e isolamento são atitudes compreensíveis e justificáveis em um primeiro momento, mas a longo prazo só o que fazem é alongar nosso tempo de sofrimento. Dentro desses grupos de isolamento, pensando estarem fazendo o que há de mais justo, critica-se o modo de vida, de ser, de pensar e tudo o mais em quem nos desagrada, exatamente a mesma coisa que repudiamos que façam conosco.

Quando vc torna público um pensamento ou uma opinião, é NATURAL que discordem de você. De formais mais ou menos polidas, acaba sendo natural constatar que, pelas mais diversas razões, às vezes sejamos confrontados até com ignorância e intolerância. Em círculos sociais, aqui, acolá, em qualquer situação. Quando acontece comigo, o que é bem comum, absorvo o que entendo ser construtivo, compreendo quando o comentário traz algo de revolta - eu posso ERRAR e tenho que saber disso e aceitar esse fato - eu posso magoar - mesmo que não tenha tido essa intenção conscientemente, eu posso desagradar, enfim, a(s) pessoa(s) podem simplesmente não gostar de mim, de graça. É um direito que lhes assiste.

Em alguns outros casos, divirto-me com o que dizem sobre mim, até. Não é um tipo de sarcasmo, é simplesmente algo que não me chama à necessidade de resposta alguma, tão absurda é a maneira como é colocada a opinião.

Creio que devamos ter bem definido que aqueles que são sangue de nosso sangue e, fora esses, certas outras pessoas por quem tenhamos admiração, respeito ou algum sentimento que envolva, em maior ou menor grau, bom-senso, essas são as pessoas em relação a quem devemos tentar, aceitando que nem sempre conseguiremos, ter atitudes e falar coisas que levem a uma convivência das mais harmoniosas possíveis.

Quando, com ESSAS pessoas, tivermos problemas frequentes, aí sim passa a ser merecedor de uma preocupação maior e de providências a respeito.

De resto, viva e deixe viver. Cada um no seu quadrado, ninguém é melhor do que ninguém.

Se você SABE que tem seu valor, poucas coisas podem te afetar gravemente. Lide apenas com essas de modo mais sério. Para as outras, assim como eu faço, jogue a FRANJA.

É mais ou menos isso.

Uma última coisa: Comparar é inerente ao ser humano. Se eu fosse levar em consideração quantas idéias já formaram a meu respeito baseadas em comparações com este ou aquele, já teria me matado. Já que NÃO é possível extirpar esse padrão de comportamento nos OUTROS, pq não formar uma idéia a respeito de nós mesmos SEM nos compararmos a ninguém? Oh, este ou aquele deve ser bem mais feliz que eu, veja como é bem sucedido, tudo dá certo para ele/a, tudo vem mais fácil, etc.

Esqueça isso. Pelo menos VOCÊ, já que os outros vão sempre lembrar de te comparar com fulano ou sicrano para, no mais das vezes, te dizer que merda vc é.

Sem confundir com conformismo ou com aceitação incondicional de tudo, pense que, talvez, diferentemente do famoso dizer, a melhor defesa NEM SEMPRE é o ataque.